Melhores Colegas

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Encontramo-nos sempre pelo acaso. É sempre algo que nos faz cruzar o caminho um do outro, nunca combinamos coisa alguma.

A gente nunca briga. Também, nem convivemos tanto assim para que venham a surgir razões pelas quais brigar.

Sempre parecemos satisfeitos na presença um do outro ― por mais esporádico que seja ―, e é aí que mora o perigo.

Já que nos damos bem, que gostamos de conversar pra ouvir a opinião do outro sobre as mais variadas coisas… A gente se vê/fala muito pouco, bem menos do que gostaríamos, e então corremos um sério risco em querermos nos ver/falar mais. O fim de tudo isso, que é tão bom, será uma questão de tempo. Os mais otimistas dizem que não dura mais que cinco anos.

A gente vai aumentar a intensidade, até que um dos lados vai se cansar, ou vai conhecer do outro coisas que achava melhor não conhecer, ou vai deixar o tempo, que não para de passar, criar obstáculos para que não consigamos manter tal intensidade trabalhada por nós, ou embargar o outro por alguma bobagem, ou ainda brigar por qualquer coisa que seja e cada um para o seu lado.

Ah, relações humanas! Tinham mesmo de ser tão complicadas assim?!

A demora é um vínculo afetivo ser criado, o fim torna-se algo certo, infalível, podendo ser apenas postergado algumas vezes, mas só algumas vezes.

Que tal se a gente continuar convivendo com a vontade? É. Ao invés da gente aumentar a intensidade, a gente continua assim, só na vontade e sempre dependendo do acaso para nos encontrarmos… Acho que vai ser bem mais proveitoso. Todas as vezes que a gente se encontrar, vai ser bom; a gente nunca vai ter histórico suficiente para se desentender, e ninguém sai machucado no final… ou no meio, né?

Ao invés de construirmos uma amizade para a vida toda ― pois a gente pode até tentar construir, mas sabemos que é uma utopia ―, podemos construir um coleguismo para a vida toda.

Somos ótimos colegas, não vamos estragar tudo nos tornando amigos.

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Primavera

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A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro “Cecília Meireles – Obra em Prosa – Volume 1“, Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

Fonte: Releituras

Eu voltei

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Eu voltei… Não por sua causa, nunca pense isso, mas por mim, eu precisava, na verdade eu necessito dessa alma, mesmo que presa a algumas memórias me faz ser quem realmente eu quero ser.  Nunca fui do tipo que se prende , disso você sabe muito bem, mas de todas as coisas que fazemos, o que procuramos mesmo é sobreviver a cada oceano que nos sufoca. E foram longos oceanos, intermináveis, me contentaria apenas por aquele rio que passa por dentre os córregos das sua cidade.

Eu voltei, mas não por você, se contente, mas sabe é que o céu daí é tão bonito, que as estrelas apenas fazem o seu papel de encantar e transbordar a alma, a lua apenas nos enche de amor, chega a ser emocionante, é por isso que suspiro todas as noites, por ter um amor constante pelo céu.

Se me conhecesse muito bem saberia que eu não voltei por você, sabe muito bem que sempre estou a procura de novas aventuras e novos vícios, e meu bem, dessa vez, me viciei pela dádiva de viver, vou te falar que é incrível,  deveria se desprender dos medos e fazer o mesmo, e a vista do alto é muito melhor sozinho.

Eu voltei e foi a melhor coisa que fiz desde então, descobri que o sotaque do sul me encanta mais, aliás aquele frio está sempre aqui me protegendo das grandes ondas de calor intenso que não me deixa respirar.  E é isso que me aquece todos os dias, pois acabei percebendo que o frio é calor, é só sabermos lidar com as coisas.

Eu voltei, e fiz disso meu novo lar, fiquei, mas quero voltar de novo pro meu antigo lugar, onde os paraquedas soltam-se mais fáceis e não corro o risco de ficar pendurada no ar com medo de cair em terras estranhas…

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Amores Internos

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Demorei, eu sei, demorei muito pra descobrir sobre nossos amores internos, sim esses amores maiores que nos tiram o ar, a posição, faz perder a hora, e nos faz criar novas aventuras.

Sim eu descobri, o tempo me fez perceber, que a fase de Los Hermanos nunca vai acabar pra gente, que todos aqueles conselhos que Martha Medeiros nos dá, é a penas um passo para aprender a conviver com todas as situações que passamos no nosso dia a dia, que no final, o que sempre vai nos restar é o cansaço.

Cansei, cansei mesmo, de tirar a roupa e me debruçar eternamente em uma cama sem vida, que não me trouxe nada mais do que sonos intermináveis, minha vida acabava ali, meus sonhos, meus desejos de seguir também acabavam ali, e percebemos apenas uma coisa: sorte é para o “sortudos” (raros), temos que erguer-nos diante da vida e correr, feito um maratonista na prova de São Silvestre para garantir o nosso sonho. Quer um conselho? Seja sempre um Keniano, eles costumam treinar bastante para estar sempre em primeiro lugar nas suas metas.

É disso que eu quero falar, competições, mas não dessas em que temos mil concorrentes para poucas vagas. Quero dizer das competições que nós mesmos temos que criar contra nós mesmos, envolvendo a vida, os sonhos, as metas, e todo dia treinar para que cada passo seja realizado, e vamos apenas perceber que sair da cama sem vida, vale muito a pena!

Quando estivermos totalmente prontos, nossos amores internos irão explodir e transbordar de felicidade, trazendo aquela sensação boa de borboletas no estômago, mas não por encontrar um grande amor, e sim por realizar-se inteiramente na vida.lkjh

Roupa Nova – 35 anos

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(Paulinho, Nando, Kiko, Ricardo Feghali, Serginho Herval e Cleberson Horsth foram o Roupa Nova. A banda fluminense é a mais antiga em formação original do Brasil. No dia 26 de agosto de 2015 o Roupa Nova completa 35 anos)

Por mais de uma vez tentei começar a escrever este texto e não conseguia algo satisfatório. Tudo estava no campo do “já foi dito”, “todos já sabem disto” ou “lugar comum”.  Falar do Roupa Nova  é extremamente difícil. O Roupa é uma referência musical incontestável na música brasileira (tanto no vocal, quanto no instrumental), respeitadíssimos, uma carreira de sucesso do surgimento, em 1980, até o presente. Falar sobre um grupo de carreira conhecida pelo Brasil é um desafio à originalidade… Mas, foi pensando em alguns amigos e conhecidos, que desencantei.

Eles sabem o que é o Roupa Nova, citam várias músicas conhecidas (e isto já é algo interessante: não há quem diga que conhece apenas uma música deles, afinal, são mais de 60 sucessos nacionais), mas caminham num campo muito limitado: Roupacústico.

Este álbum, de 2004, foi o responsável pela renovação do público do Roupa Nova. Fazendo a leitura acústica de seus clássicos, s banda conquistou um público jovem instantaneamente. Estima-se que 75% do público fiel do Roupa esteja entre 15 e 25 anos de idade — consolidando, claro, o público que os acompanha desde o início da carreira. E esta garotada está sempre presente em seus shows (aliás, a agente está sempre lotada; recusam shows no exterior, como no Japão, por exemplo, por não conseguirem dar conta da demanda no próprio Brasil).

O problema de alguns amigos e colegas que dizem gostar do Roupa Nova é se livrar do Roupacústico. Não percebem o quanto têm a ganhar, não só pelo prazer de escutar um boa música mas também o fato de enriquecer-se musicalmente, passeando pelos outros álbuns da banda — e até aqueles que já me disseram não gostar do Roupa, muitos julgavam a banda pelo acústico de 2004.

Quando indico álbuns, três sempre estão no topo: Frente e Versos (1990), De Volta Ao Começo (1993) e Ouro de Minas (2001). Aos dois últimos chamo atenção de que são álbuns de regravações, e a genialidade deles fica muito aparente até aos mais leigos no assunto. No de 1993 pegam músicas de Gonzaguinha, Chico Buarque, Sérgio Sampaio, Herbert Vianna, Rita Lee… no de 2001 de Milton Nascimento, Beto Guedes, Lô Borges, Flávio Venturini… É muita responsabilidade, mas o resultado é fantástico. O de 1990 é inenarrável, então, vou nem tentar.

Quando indico músicas o puzzle fica mais nítido. Eles têm suas baladas conhecidas, músicas das mais românticas do Brasil, mas também transitam em temas como as ditaduras na América Latina, momento político mundial e brasileiro no final da década de 1980, situação climática, e também em vários estilos como baião, samba, rap, reggae, country… — o gênero do Roupa Nova é Rock, sendo predominante o Soft Rock.

Algumas das que indico constantemente são: E O Espetáculo Continua e Roupa Nova de 1981; Demônio do Meio Dia, Faz Minha Cabeça e Vira de Lado de 1982; Caleidoscópio de 1983; Não Dá e Pecado Original de 1984; Tão Rica de 1985; Latinos e Sexo Frágil de 1987; Betty e Lou, Esse Tal de Rap En Roll e Romance Mutante de 1990; Ando Meio Desligado e Maria Maria de 1993; A Viagem e Os Corações Não São Iguais de 1994; Dia Vai Dia Vem de 1996; Continente Perdido de 1997; De Frente Pro Crime, Fé Cega Faca Amolada, Princesa, Tão Seu e Tudo Que Você Podia Ser de 2001; Day By Day e My Sweet Lord de 2007; Reacender, Coração da Terra e She’s Leaving Home de 2009 e Olá e Tudo Desarrumado de 2012.

Enfim, não adianta gastar tempo elogiando, nada que seja dito chegará a definir o talento dos Coroas, seria esforço vão. Quem conhece, sabe do que falo, e quem não conhece, só ouvindo pra sentir… Aliás, deem uma conferida no EP lançado em outubro de 2013, e chamo atenção às canções Sonho Impossível, Ser Melhor e A Festa. Tenho certeza que vão gostar. E logo mais eles lançarão um novo álbum remetendo ao período de formação da banda (décadas de 1960 e 1970); algumas músicas já estão sendo cantadas nos shows e está bom demais.

O tempo passa e os Coroas vão tirando cada vez mais onda!

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O que aprendi com Grey’s Anatomy

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Durante todo o meu tempo dedicado à Grey’s Anatomy (ainda não terminei), a 5ª temporada conseguiu me trazer um humor totalmente diferente do que eu tinha no começo, em um estalar de dedos, lá estava eu me apegando a cada paciente, e por incrível que pareça eu me apeguei não só aos pacientes e sim na história de vida de cada um, o esforço e sofrimento que as pessoas passam ao serem diagnosticadas, aprendi além de todas as coisas a dar valor a vida que tenho.

Quinta temporada é repleta de humor, mas quando chega em sua metade, é de se arrepiar com tantas emoções. em meio a tantas histórias tristes de pessoas que estão em seu estado terminal, em meio a tantos diagnósticos, idas e vindas, tratamentos, entre outros casos, nunca tinha chorado em um episódio como aconteceu hoje, é incrível como as histórias entram na sua vida, e para e pensa, poderia ser eu…

A emoção do Derek ao acordar me animou a cada dia, como ele mesmo diz: “Hoje é um ótimo dia para salvar vidas”, isso todos os dias, e penso, no que estamos fazendo para contribuir com isso? Será que apenas os médicos tem a capacidade de salvar vidas? Ou nós podemos contribuir, nem que seja com uma ajuda para que a pessoa tenha mais tempo? Só imagina quantas dessas pessoas não queriam mais tempo… Nem que fossem dias.

Sou do tipo de pessoa que acredita muito em destinos, apesar de que, ele tem desviado muito do seu devido caminho, e estou crescendo bastante com isso, mais de uma coisa estamos certos, nosso destino final, não importa como seja, quando seja, ele é único para todos, qualquer pessoa vai chegar em seu estado terminal, sei que é triste falar disso, mas é a realidade que nos cerca. Não temos como fugir disso. Como costumo dizer muitas vezes, todas as coisas que estão destinadas a acontecer, elas simplesmente acontecem, e o nosso final, é prova disso.

Assim como salvar vidas, é bom pensar em boas ações, o que eu estou fazendo pelo meu próximo? O quão solidário estou sendo para que o mundo se torne melhor? São questões como essas que devemos ter todos os dias ao levantar, e salvar a nossa própria vida, porque além de tudo, transmitir as coisas boas que existem em nós em atitudes, torna-nos cada vez melhores como pessoa.

Nós costumamos morrer todos os dias, nossa alma se desfaz, e no outro dia tentamos ressuscitar aquilo que foi perdido, costumamos dizer “estamos indo em busca do tempo perdido”, mas porque não fazer tudo que queremos agora? A cada morte diária, perdemos grande parte da nossa vida que poderia se encher de pequenas coisas, mais boas para a nossa alma. Nosso interior suspira por isso todos os dias, é se engrandecer por coisas maravilhosas.  Nós morremos todos os dias em busca de algo, que às vezes não soma tanto no nosso crescimento. Morremos todos os dias querendo mudar algo que nos foi destinado, ou até mesmo tentando salvar vidas ou, ainda, a nossa vida, mas e no final? Como ficamos em relação ao tempo? Será que teremos escolhas? Ou vamos querer mais tempo?
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