Vetustez

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Eu sou um velho! Um velho com menos de trinta anos de idade.

Corrigindo a frase: tornaram-me um velho.

Nunca achei que ser velho pudesse ser encarado como algo ruim. É certo, existem as limitações físicas, mas a experiência, a vivência, a sabedoria, o gostinho de ser um avô e poder ter a liberdade de ser chato e ouvir apenas o que lhe convém, a autoridade que os cabelos brancos lhe dão… Sempre achei bonito um senhor de cabelos brancos, ou grisalhos, pode ser… Sempre quis ter cabelos brancos, ou grisalhos, pode ser também… O fato é que sempre valorizei muito os velhos, sempre me imaginei muito chegando lá, sempre olhei a velhice com muito otimismo… Pode ser por isso que as pessoas ao meu redor me tornaram um velho antes dos trinta anos de idade sem sequer me permitirem ter a chance de ter cabelos brancos, ou grisalhos, pode ser também…

Fazem comigo exatamente igual fazem com os seus velhos… “fazem”, pois eu nunca faria. Nunca fiz (…). E eu, como alguns velhos, não reclamo com eles do que eles estão fazendo comigo; estou, sim, relatando pra vocês que me leem e que nada podem fazer de diferente a não ser ter paciência pra ver no que esse texto vai dar, ou simplesmente deixar de ler pois devem ter coisa melhor pra fazer do que aturar um velho chato, chorando a velhice…

Privei-me de meus sonos pra cuidar de quem precisava de mim, com todo o carinho que fui capaz de oferecer, mas julgo não ter sido muito, afinal, ninguém se importa em gastar dez minutos de seu horário de almoço pra saber como estou com uma simples e barata mensagem de celular — e eu nem falo em ligações, pois isto seria pedir demais gastar tanto assim com um velho como eu.

Eu briguei pra defender o espaço que cada um ocupava em minha vida quando terceiros queriam ameaçar fazendo algum tipo de “cercamento”, porém muitas vezes sinto-me um inconveniente ao tentar ocupar, ou simplesmente permanecer, em um espaço que eu julguei ter sido meu na vida dessas pessoas.

… Olhem pra mim, já estou dramático como um velho à beira da morte… Mas até a morte parece não se lembrar de mim, assim como os que me tornaram um velho sem me dar a chance de me olhar no espelho e me maravilhar admirando meus cabelos brancos, ou grisalhos, pode ser também.

Esquecido.

Mas assim como um velho, vivido, experiente, sábio, e quaisquer outras coisas boas que a velhice trás, eu sei que eles são jovens e que têm suas vidas pra viver. Não posso cobrar deles tanto assim. Tenho que aceitar minha posição. Aceitar que meus amigos morreram num passado, como de fato morreram, e que os vivos estão impossibilitados de manter contato, como de fato estão.

Bem, se nem trinta anos eu tenho, posso dizer que terei muito tempo para viver a velhice que sempre valorizei. Muito mais tempo que qualquer outra pessoa, e isso me dá tempo de sobra para esperar, pacientemente como um velho, que apareçam, enfim, meus cabelos brancos, que antes serão grisalhos, eu sei.

luan dqta

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