O Morro dos Ventos Uivantes

 Wuthering Heights (1847)

“O Morro dos Ventos Uivantes”

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“… Meus maiores sofrimentos deste mundo têm sido os sofrimentos de Heathcliff […] Meu maior cuidado na vida é ele. Se tudo desaparecesse e ele ficasse, eu continuaria a existir. E se tudo o mais ficasse, e ele fosse aniquilado, eu ficaria só em um mundo estranho, incapaz de ter parte dele. Meu amor por Linton é como a folhagem da mata: o tempo há de mudá-lo como o inverno muda as árvores […] E o meu amor por Heathcliff é como as rochas eternas que ficam debaixo do chão; uma fonte de felicidade quase invisível, mas necessária. Nelly, eu sou Heathcliff. Sempre, sempre o tenho no meu pensamento. Não é como um prazer — porque eu também não sou um prazer pra mim própria —, mas como o meu próprio ser…” — Wuthering Heights.

Publicado originalmente em 1847, o romance Wuthering Heights pode ser encontrado em português com diversos títulos: O Alto dos Vendavais, A Colina dos Vendavais, O Monte dos Vendavais, ou, o mais popular e atraente O Morro dos Ventos Uivantes (de todas as traduções que originam tantos títulos, a melhor, sem dúvida, é a de Rachel de Queiroz de 1947 que foi reutilizada pela Editora Abril nos seus Clássicos Abril em 2010).

É uma história surpreendente. Sempre trazendo situações totalmente inesperadas pelo leitor, Emily Brönte (considerada uma das maiores escritoras britânicas) consegue prender a atenção magistralmente com romance, suspense, terror… manifestando em quem lê uma explosão e também uma confusão de sentimentos: o vilão é amável ou odiável?

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Toda a trama se passa na Inglaterra e é contada por dois narradores, Mr. Lockwood que é “inquilino” do vilão Heathcliff, e Ellen Dean “Nelly”, empregada que convive com três gerações.

Cathy, a mocinha desequilibrada que, digamos, movimenta a história mesmo quando não está em cena, ama Heathcliff, o vilão que foi criado com ela por ter sido adotado pelo seu pai na infância, que também a ama. As frustrações de Heathcliff, manifestadas aqui e ali desde sempre, ficam mais intensas quando escuta uma conversa da Cathy com Nelly, onde aquela dizia para esta que não poderia se casar em Heathcliff por ele ser pobre. Ele vai embora e volta anos depois financeiramente despreocupado. Cathy está casada com Edgar Linton. Heathcliff começa a se vingar de tudo, tudo mesmo (podemos até dizer que ele nunca esqueceu aquele presente de Natal que não ganhou em 1773), e mais de uma geração há de sofrer as consequências destruidoras de tamanha paixão. É Heathcliff contra Edgar (ou contra todo o resto quando atrapalham seus planos, exceto Cathy, claro), é o mal contra o bem, o errado e condenável contra o certo dentro da moral.

Completando o escrito em tom de indicação, e para se dar uma noção da grandiosidade da obra, Wuthering Heights não ficou apenas nas várias traduções ao longo do tempo. Temos também a possibilidade de apreciar os filmes de 1920 (mudo), 1939 (grande popularidade), 1954 (o único espanhol), 1970 (primeiro em cores), 1992 (considerado por muitos a melhor versão), 1998, 2004 (versão moderna pela MTv), 2009 (em duas partes, feitas

pra TV) e 2011 (com uma brasileira no papel de Cathy). Em 1978 há dois lançamentos: uma minissérie pela BBC e uma canção homônima da renomada cantora britânica Kate Bush, regravada diversas vezes, inclusive pela banda brasileira Angra. O filme de 1992 tem a belíssima trilha sonora do japonês Ryuichi Sakamoto, e o de 2009 da estadunidense Ruth Barrett. Até duas novelas foram feitas com base na obra: “O Morro dos Ventos Uivantes” em 1967 pela TV Excelsior e “Vendaval” em 1973 pela Rede Record.

Livro, filmes, músicas, séries e até novelas, dão uma ideia do quão importante é o romance de Emily Brönte para a literatura mundial.

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